A falência do Banco do Brasil
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Postado originalmete por Fraternidade Os Números do Poder em 25 maio 2011 às 23:18
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1828 - FALÊNCIA DO BANCO DO BRASIL
Em Portugal, o
primeiro a compreender as vastas possibilidades de extrair vantagens para o
Estado através dos mecanismos de crédito bancário, foi o italiano Domingos
Vandelli, que lecionara filosofia em Coimbra, a convite do marquês de Pombal.
Lançada a semente, ela viria germinar em solo brasileiro em decorrência da
transmigração da monarquia. Dom Rodrigo de Sousa Coutinho, um ilustrado
típico, sugeriu em 1808 a fundação do Banco do Brasil, o qual teria por
objetivo facilitar "os meios e os recursos de que
as rendas reais e as públicas necessitarem para ocorrer às despesas do
Estado" (alvará
de 12 de outubro de 1808).
Instituído intencionalmente como organização comercial autônoma, o Banco
contava com a captação de recursos privados para dar início às atividades.
Suas ações, entretanto, foram dificilmente subscritas, vendo-se o governo na
contingência de cumular os acionistas de favores para que, ao final de um
ano, pudesse arrecadar a parcela mínima de capital necessário à sua
instalação. As notas emitidas pelo banco circulavam no Rio de Janeiro e as
suas emissões cobriam os déficits orçamentários provocados pela manutenção de
uma corte numerosa e pela política externa expansionista de dom João VI.
A instituição era ainda jovem quando, do exílio, o jornalista Hipólito da
Costa (na ilustração) prenunciava: "O Real Erário muito tem
exigido do Banco do Brasil obrigan-do-o a operações muito superiores às suas
forças, pondo-o em circunstâncias de faltar a seu crédito".
O favorecimento da monarquia atraía os subscritores, que estavam
regionalmente assim distribuídos: do total de 1.380 ações negociadas, o Rio
de Janeiro retinha 57%, na Bahia havia 15%, em Minas Gerais 8% e em São Paulo
5%. A degeneração das notas em papel-moeda inconversível não chegava a
preocupar os acionistas, para os quais a situação do Banco era altamente
rendosa. A distribuição de dividendos era generosa, pois estes eram
calculados sobre os juros pagos pelo volume dos empréstimos concedidos, mais
5% sobre o fundo de reserva.
Ora, o Estado era o maior cliente e solicitava sempre novas emissões para
cobrir suas próprias necessidades e compromissos com o Banco, o que tornava
fácil a política de agraciamento dos acionistas, em detrimento dos portadores
das notas, isto é, do público em geral. Em 1817, o total dos descontos
particulares montava apenas seiscentos mil réis, enquanto o Estado devia
perto de sete mil contos de réis, o que bem traduz a política de desinteresse
em oferecer crédito à iniciativa privada. A ampliação do raio de ação do
Banco do Brasil com a autorização para organizar filiais em outras cidades do
reino, deve ser entendida como uma procura de acionistas e clientes em
regiões com potencial financeiro. Tanto é assim, que logo após haver entrado
em funcionamento a Caixa de Descontos de Salvador, em 1818, foi regulamentada
a filial de São Paulo, que iniciou as atividades em 1820. Ficava patenteado
que na Bahia, mesmo tardiamente, o banco procurava participar da euforia dos
preços do açúcar e, em São Paulo, alimentava certa expectativa no sentido de
sorver os excedentes monetários metálicos.
A filial de Pernambuco não chegou a funcionar porque os revolucionários de
1817 queimaram as notas remetidas do Rio de Janeiro para dar início às
operações da caixa. A monarquia pretendeu criar uma "carteira" do
banco em Minas Gerais para a compra de ouro e prata através de bilhetes de
emissão especial. Os mineiros não se deixaram enganar com essa operação e a
"carteira" não teve movimento. "Era um plano organizado para
desapossar Minas da circulação das reservas metálicas e trocar esse sangue
pela água rala dos papéis impressos, sem nenhuma garantia", como disse Afonso Arinos. Com essas
medidas, o governo pretendia aparelhar o banco para preparar o lastro da
viagem de dom João VI a Lisboa. O público, pressentindo a manobra,
apressou-se em converter as suas notas em ouro, mas encontrou a cavalaria nas
portas do Banco para impedir o resgate. No Rio de Janeiro, na Bahia e em São
Paulo, onde quer que circulassem os bilhetes do Banco, os metais preciosos
desapareceram. O ouro se evadia no contrabando, na compra de escravos, nas
importações britânicas.
A volta de dom João VI a Portugal em 1821, levando consigo as reservas
metálicas do Banco, legou uma situação financeira alarmante para o herdeiro
do trono. Com um déficit superior a seis mil contos de réis, maior que seu
capital e com um lastro metálico que cobria apenas 20% do valor nominal de
suas notas, o Banco do Brasil tornou-se a instituição financeira de
sustentação da Guerra de Independência. O primeiro ministro da Fazenda do
novo reino, Martim Francisco, procurou garantir a sua solvabilidade
utilizando-se de duas táticas: eliminar os impostos criados para sustentar a
remuneração dos acionistas e proibir novas emissões, inclusive as destinadas
ao pagamento dos dividendos. A desobediência a essas determinações foi
flagrante e partiu do próprio Governo, que continuou a sacar contra o banco e
acabou por afastar o ministro.
Essas circunstâncias derivavam da incapacidade de a receita arrecadada cobrir
as despesas públicas e assegurar os gastos militares na consolidação da
Independência. A partir de 1824 a depreciação da moeda bancária se acentuou.
O desempenho da instituição passou a ser questionado pela oposição tão logo o
Congresso foi aberto. O antagonismo ao Banco do Brasil estava vinculado à
luta contra o absolutismo que se exercia através da instituição que o
financiava. A classe dominante de grandes proprietários e comerciantes,
especialmente do Rio de Janeiro, era conivente com o Imperador e seu banco
porque remunerava-se regiamente enquanto portadora das ações, na medida em
que os juros dos empréstimos ao Tesouro eram contabilizados como lucro.
Lesada por essa artimanha era a população, que a cada emissão via reduzir-se
a capacidade de compra das notas em carteira, a mesma população que com o
pagamento de impostos contribuía para o pagamento dos juros da dívida.
Em 1828 o Banco estava contabilmente falido e o reconhecimento de sua
falência implicava reconhecer a insolvabilidade do Tesouro Nacional. O ágio
dos metais sobre as notas do Banco chegava a 100% quanto ao ouro, 40% quanto
à prata e 12% quanto ao cobre. A oposição exigia a extinção imediata do Banco
do Brasil. A monarquia desejava uma reestruturação que não matasse sua
galinha dos ovos de papel. Demonstrando sua postura moderada, saiu vitoriosa
do Parlamento a posição de liquidação gradual (lei de 23 de setembro de
1829).
Pouco tempo depois começaram a surgir críticas contra a liquidação do
primeiro Banco do Brasil. Historiadores, até os nossos dias, são unânimes em
opinar que a economia não podia prescindir de um instituto regulador do
crédito e o Governo de um aparelho auxiliar da administração que servisse de
apoio às finanças públicas e como elemento de equilíbrio do meio
circulante.
Transcrito de: www.bb.com.br - História do BB
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FERNANDO KITZINGER DANNEMANN
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Sobre 1852, descobri que neste ano o governo decidiu
"acabar" com o velho BB...
e em 1853 nasceria um novo banco...
peripécias do tesouro nacional, observem:
1853 - O SEGUNDO BANCO DO
BRASIL
A tentativa de reorganização do Banco do Brasil, em 1833, fora um fracasso em
virtude das fraudes ocorridas durante a extinção do primeiro banco, que ficaram
na
memória dos investidores. A discussão sobre a conveniência de criar um novo
Banco
do Brasil tomou grande fôlego em 1853, depois das palavras de Dom Pedro
II (ilustração) perante a Assembléia Legislativa: "Recomendo-vos a criação
de um
banco solidamente constituído, que dê atividade e expansão às operações
do
comércio e da indústria. Nas circunstâncias que já nos achamos, semelhante
instituição é elemento indispensável de nossa organização econômica."
O debate polarizou, de um lado, uma corrente que defendia a existência de
um banco
emissor único, respaldada pelo visconde de Itaboraí, e, de outro, uma
corrente que
sustentava a conveniência de coexistir uma pluralidade de bancos
emissores
localizados nos centros de circulação monetária regionais, baseada na
leitura de
Sousa Franco. O governo desejava impor seu poder de gestor da moeda,
atribuindo a
um banco o monopólio de emissão.
A formação gradativa do Estado nacional, a partir de demonstrações sucessivas
de
força do poder central, não podia dispensar o controle monetário. Os
banqueiros
privados, entretanto, não estavam dispostos a se submeter facilmente
à centralização
na sua área de atuação. Era fundamental que a fusão dos dois
maiores bancos
cariocas, o Comercial do Rio de Janeiro e o Banco do Brasil, de
Mauá, fosse
promovida para criar o núcleo do novo Banco do Brasil. Das 150.000
ações que
deveriam ser subscritas, 80.000 ficaram asseguradas pelo capital
social desses
bancos. Das restantes, 40.000 foram reservadas para os acionistas
das caixas filiais
nas províncias e 30.000 se destinavam ao lançamento junto ao
público.
Pela Lei nº. 638, de 5 de julho de 1853, foi criado o segundo Banco do Brasil.
Suas
operações básicas seriam as de depósitos, descontos e emissão de notas. O
presidente seria nomeado pelo Imperador dentre os acionistas que tivessem mais
de
50 ações. A emissão deveria ser inferior ao dobro do fundo de capital, a não
ser que
houvesse autorização especial do governo.
O fantástico êxito no lançamento dessas ações no Rio de Janeiro emergiu,
entretanto,
das peculiaridades do momento histórico. A existência de capitais
ociosos
decorrentes da cessação do tráfico negreiro, ao lado de determinações
do Código
Comercial sobre a constituição de sociedades anônimas, atiçou o
mercado. Os
primeiros subscritores negociavam os certificados de compra de
ações do segundo
Banco do Brasil com larga margem de lucro no mercado
secundário, dando
continuidade à febre de Bolsa que começara com o lançamento
de empresas no início
da década.
A fusão compulsória do Banco Comercial do Rio de Janeiro com o Banco do Brasil
de
Mauá desencadeou por outro lado uma reação de descontentamentos do setor
financeiro privado com o governo. Uma cisão inicial dera origem ao Banco
Hipotecário do Rio de Janeiro.
Tirando partido das novas divergências entre os
interesses dos
empresários e os objetivos do Governo, Mauá organizou uma
sociedade bancária
com
o nome Mauá Mac-Gregor & Cia.
A primeira diretoria do Banco do Brasil procurou pôr em prática seu plano de
guerra
política monetária em âmbito nacional, tratando da instalação das caixas
filiais nas
províncias. Com exceção da de Ouro Preto (MG), as demais caixas
resultaram da
conversão das filiais do antigo Banco do Brasil de Mauá ou de
bancos existentes nas
províncias. No Rio Grande, as moedas de ouro e prata
espanholas, que anteriormente
circulavam, começaram a escassear, pelas mais
óbvias razões (entesouramento,
recolhimento do banco e do fisco ou acerto de
contas com o comércio exterior) e
estabeleceu-se um ágio, que variava de 4% a
10% na troca de moedas estrangeiras
pelo papel-moeda do banco.
A florescente província de São Paulo não podia deixar de merecer também a
atenção
especial do Banco do Brasil. A caixa filial paulista, entretanto, não
atendeu às
necessidades de financiamento para a expansão dos cafezais,
caracterizando-se
apenas como um estabelecimento de depósitos, afastando os
clientes mais ativos -
os comissários - por cobrarem taxas de desconto mais
altas que as do Rio de
Janeiro.
Somente em 1856 começou a funcionar a caixa de Salvador, trazendo insatisfação
para os acionistas, que se sentiram alijados do processo decisório, já que as
determinações de condução do banco provinham do Rio de Janeiro. Também em
1856,
a caixa filial de Pernambuco iniciou suas atividades. A respeito das últimas
caixas filiais a entrarem em funcionamento, a do Maranhão e do Pará, pouco se
conhece.
Gradativamente, os inconvenientes da intervenção direta do Banco do Brasil na
vida
econômica e financeira das diferentes áreas de circulação monetária foram
ficando
mais evidentes do que as projetadas vantagens do monopólio de que
gozava. A
intervenção do poder central se operava a partir de inferências que
refletiam a vida
financeira da corte, em detrimento das reais necessidades dos
outros circuitos
comerciais.
Apenas quatro meses depois de instalado, o Banco solicitava autorização para
emitir
o dobro do fundo disponível, alegando uma afluência excessiva de notas
para troca -
provocada pelas remessas para o Nordeste - que, ao reduzir as
garantias reais,
rompia com a relação entre elas e a emissão. Em abril do ano
seguinte a emissão
ultrapassou até o novo limite autorizado e, desfalcado de
metais para troco, o banco
viu tremerem suas bases durante a crise de 1857.
Comentário de Fraternidade Os Números do Poder em 27 maio 2011 às 16:12
Vamos "projetar" o ciclo "ruim" do BB, e
disto, teremos dados sobre o panorama do
tesouro nacional, observem e me ajudem
a coletar os dados comprobatórios (a
evolução cabalística nasceu de uma análise
francesa do século 18):
1828
1847
1867
1889(!!!) alguém duvida do que aqui esta sendo demonstrado?
1915
1931
1945
1964 (!!!)
1984(!!!)
2006
2014
2021
2026
...
Este é o ciclo estabelecido a partir da "falência" do
BB.
Curiosamente, este ciclo assinala os anos "revolucionários" do
Brasil...incluindo 2006
com a reeleição de Lula.
Agora, observem o ciclo "estatal" para comparar o que
seria presumível para a causa
do déficit público (a Cabala não mente...):
1808
1825
1841
1855
1874
1894
1916
1943
1960 (inauguração de Brasilia...sacos de cimento foram
transportados de avião!)
1967
1990 (Collor)
2009 (o que deixamos de ver???)
2020
Ok, terá gente dizendo que o ciclo real é de 1822... e eis a
falácia, este ano integra o
ciclo dos Bragança no Brasil. Não tem nada, nada
mesmo, a ver com a
gente...observem:
1822 tomada do poder
1835 abdicação inconsequente, o autor volta para Portugal para
"segurar o dinheiro
da familia"
1852 (? alguém se habilita?)
1868 (problemas de caserna, guerra do Paraguay...intrigas da
oposição)
1891 (morte de D. Pedro II, fim do ciclo dos Bragança no Brasil)
pra concluir...vamos projetar 1857, o ano em que a "base tremeu"
1857
1878
1902
1913
1927
1946
1966
1988
2014
e estamos no ano onde os ciclos se encontram...
o que você acha que vai acontecer???